Livros como ACOTAR: 8 romantasys que entregam

Oito romantasys ranqueados pelo que matam a abstinência de Maas. Do pouso suave ao mais pesado, com veredito para cada livro.

Beatriz Costa · 7 min de leitura ·
Livros como ACOTAR: 8 romantasys que entregam — Listas

Galera Record marcou o sexto volume de Corte de Espinhos e Rosas para 27 de outubro de 2026. Faltam meses. A Hyperion entregou House of Flame and Shadow em setembro de 2024, e desde então a gente espera. Maas dividiu o manuscrito original em três livros, agora são 6, 7 e 8. A Galera segue o cronograma americano com o atraso de praxe.

Enquanto isso, o #BookTokBR está reciclando as mesmas quatro recomendações de "se você gostou de ACOTAR" na FYP, em ordem aleatória. Esta lista não vai fazer isso.

O que funciona em ACOTAR não são só fada e spice. É um coquetel específico: arco slow-burn de inimiga a mate ao longo de vários volumes, política de corte como motor da trama e não como cenário, uma heroína que conquista agência em vez de ganhá-la de presente, spice que é earned, e escalada que faz o volume 1 e o volume 5 parecerem dois livros diferentes. Quem quer curar a fissura por Maas a sério precisa medir quanto desse coquetel o próximo livro realmente entrega. Não se "também tem fada".

Os oito aqui eu ranqueio do pouso mais suave (#1, você vai se sentir em casa de cara) à recomendação mais pesada (#8, aí você precisa querer). O #5 vai ser o ponto de discussão. Não me mandem mensagem.

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Quarta AsaRebecca Yarros

A Planeta Minotauro lançou Quarta Asa no Brasil em outubro de 2023 e cravou o maior estreante romantasy do ano. Chama de Ferro veio em seguida, e Tempestade de Ônix saiu no verão de 2025. Se você ainda não embarcou, te invejo a estrada à frente.

O que mata a abstinência: uma mulher jovem em um sistema que não foi feito para ela (academia de cavaleiros de dragões em vez de Corte da Primavera), um interesse amoroso que ela não deveria querer e quer mesmo assim, política de corte que vira guerra, um sistema mágico com regras de verdade em vez de "e aí ela tinha poder". O setting de torneio-dentro-de-escola faz o mesmo que o volume 2 de ACOTAR fez com Under the Mountain: escalada constante sem filler.

O que é diferente: Xaden é menos morally grey que Rhysand. Grumpy e com segredos, sim, mas as lealdades dele se esclarecem cedo. Isso deixa a romance mais leve: menos ansiedade, mais banter. Quem amou ACOTAR porque doía, vai achar Quarta Asa mais leve. Quem não precisa do sofrimento, encontra aqui o meio-termo.

Entrada segura. Leia este primeiro se não souber por onde começar.

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A Serpente e As Asas Feitas de NoiteCarissa Broadbent

A Suma trouxe o primeiro volume de Coroas de Nyaxia para o Brasil em 2024, com o segundo no início de 2025. O BookTok BR praticamente atropelou o primeiro, e com razão.

Aqui é política de corte vampírico com cara séria. Oraya é uma humana criada pelo rei da Casa da Noite, jogada num torneio mortal, pareada com um herdeiro rival ao trono que ela não deveria amar. A estrutura de torneio faz o que torneios fazem: escalada constante sem ponto morto. A romance faz o que romance faz quando a autora entende o gênero. Ela ganha cada virada.

O que mata a abstinência: figura paterna complicada, herói em quem você não confia até confiar, um mundo de hierarquias que a heroína se recusa a aceitar. O que é diferente: vampiros, não fada, então a política é mais fria. As imagens de sangue são reais. Quem já se contraía nas cenas de mordida de ACOTAR, divide as expectativas pela metade e dobra a spice.

Enemies-to-lovers mais pesado que o romantasy importado conseguiu entregar entre 2024 e 2026.

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QuicksilverCallie Hart

A Rocco entregou Quicksilver no Brasil em julho de 2025, e é exatamente o livro que quer preencher o buraco de ACOTAR sem ser educado a respeito.

Saeris é puxada por um portal para o mundo das fadas. Tem magia que não sabia que tinha. O guerreiro fae Kingfisher a odeia no começo. Hart precisa de 600 páginas para fechar o volume 1, e o primeiro beijo demora o suficiente para você começar a duvidar que vai vir. Quando vem, a espera vale.

O que mata a abstinência: mundo fae explícito, mecânica de mate-bond que funciona parecido com a de Maas, heroína jogada no frio e que conquista poder de volta. O que é diferente: a spice é mais explícita, e Hart não economiza nada. Quem acha que a spice da Maas é o teto, vai cair pra trás.

Depende da paciência. Se você não abandonar o volume 1, lê o 2 em 48 horas. Se abandonar, não era pra você.

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Casa de Terra e SangueSarah J. Maas

Cidade da Lua Crescente volume 1, Galera Record. Mesma autora, outra roupa de gênero. Quem gostou de ACOTAR mas já enjoou de cortes e bonds e do vocabulário de "meu mate" encontra aqui uma Maas que muda de marcha pra cima.

Bryce Quinlan vive numa cidade de fantasia urbana cheia de meio-humanos, anjos, demônios e uma polícia formada por soldados caídos. Quando a melhor amiga é assassinada, o caso gruda em Hunt Athalar, um anjo escravizado com uma coleira no pescoço e um passado. Maas faz aqui o que sempre faz: estica o worldbuilding além do necessário, constrói homens emocionalmente devastados com a única fraqueza certa, joga a heroína no inferno e de volta.

O que mata a abstinência: herói moralmente comprometido com backstory de verdade, slow-burn que ao longo de dois volumes ainda não fechou, um sistema mágico que explode no volume 2. O que é diferente: é urbano dos anos 2020, não medieval. Mais vibes de Buffy que de Tolkien. Algumas leitoras odeiam o salto de estilo, outras amam. Eu sou da segunda.

Maas garantida, mas meio ACOTAR meio procedural urbano. Saiba no que está se metendo.

O #1 é o pouso suave. O #8 é pra quando você está pronta pra crescer além de fada.

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De Sangue e CinzasJennifer L. Armentrout

Galera Record, volume 1 De Sangue e Cinzas lançado em 2022, com a série até o volume 5 traduzida. O volume 7, o finale, sai em 2026 nos EUA. A tradução brasileira segue com o lag de costume.

Se o volume 2 de ACOTAR foi seu favorito, isto aqui é 800 páginas disso. Poppy é uma Donzela, prometida pela profecia ao casamento divino, num reino de hierarquia rígida. Casteel é o príncipe dos Atlantianos, mandado para sequestrá-la, se apaixona no caminho. Slow-burn não tão slow quanto ACOTAR, em compensação com stakes políticos claros desde a página 1.

O que mata a abstinência: política de corte que vira guerra, herói em quem a heroína não confia por muito tempo, seres sobrenaturais com mitologia séria em vez de Fada Genérica. O que é diferente: Armentrout escreve mais direto que Maas. Menos ornamento, mais momentum de plot. Quem ama prosa Maas sente falta da lírica. Quem achou prosa Maas longa demais, respira aliviada.

Aqui é o ponto da discussão: metade do BookTok BR acha o volume 1 melhor que o volume 1 de ACOTAR, outra metade chama de traição. Briguem entre vocês. Eu pego o #5.

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Um Toque de TrevasScarlett St. Clair

A Galera trouxe a saga Hades e Perséfone em 2022, mantendo o título original em vários volumes. Se na sua cabeça "Hades x Perséfone" não dispara automaticamente a palavra "TikTok", você escapou do algoritmo nos últimos três anos.

St. Clair escreve o update mítico com corporativo moderno: Hades dirige um cassino no Olimpo, Perséfone é estudante de jornalismo com major em floricultura e bico de bartender, o pacto cai como um coquetel. Spice-forward do começo. Menos política de corte, mais power-imbalance divino.

O que mata a abstinência: power asymmetry que a heroína não aceita, herói que chega com aura de medo e vai se des-amedrontando aos poucos, política mundial fervendo no fundo entre Olimpo e Submundo. O que é diferente: nada de slow-burn. A primeira cena de spice vem cedo. Quem valoriza as viradas earned da Maas vai achar isto rápido demais. Quem encara slow-burn como enrolação, agradece.

Recomendação spice-forward. Se você sente a ressaca de Maas no corpo, isto aqui injeta a dopamina de cura mais rápida.

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O Príncipe CruelHolly Black

Volume 1 de The Folk of the Air, publicado no Brasil pela Galera. Holly Black escreve política de corte fae com uma navalha que Maas raramente alcança. Se você gostou de ACOTAR e ao mesmo tempo às vezes se perguntou por que os antagonistas eram tão finos, aqui está a resposta.

Jude Duarte é uma humana criada na Faerie com os irmãos, depois que um lorde fae assassinou os pais dela. Ela odeia as cortes, ela quer pertencer mesmo assim, esse é o conflito. O príncipe Cardan é o herói que você vai ativamente odiar por cinquenta páginas, até ler uma certa cena e tudo virar. Black faz isso com ferramenta, não com mágica.

O que mata a abstinência: política de corte fae com stakes reais, enemies-to-lovers que precisa de dor e humilhação como setup, uma heroína que conquista poder em vez de ganhar. O que é diferente: a spice é sutil. Black escreve YA-crossover, não New Adult. A spice fica geralmente fora de cena, o que depois do volume 5 de ACOTAR tem gosto de água depois de uísque.

ACOTAR com QI mais alto. Quem coloca plot acima de spice, aqui está seu top 3 de ranking.

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Uma Chama entre as CinzasSabaa Tahir

An Ember in the Ashes da Sabaa Tahir, publicado no Brasil pela Verus. Esta é a recomendação para quando você acabou com fada-doce e quer que uma romance aconteça entre consequências sérias.

Tahir escreve num império inspirado em Roma. Laia é uma escrava tentando salvar o irmão. Elias é um soldado que quer abandonar o exército que o possui. Tem romance, mas ela não é a coluna que sustenta. Ela é o que sobrevive dentro de uma história sobre império, cumplicidade e o que você deve às pessoas que ama.

O que mata a abstinência: heroína oprimida, herói soldado com lealdade dividida, um regime que precisa cair, slow-burn earned por preço real. O que é diferente: a prosa é literária. Os temas são pesados. A romance não é o ponto. Ela é o caminho até o ponto. Quem queria que ACOTAR ficasse mais permanente no peito, recebe isso aqui.

Leia este por último. Leia com cuidado. Fique sentada com o livro depois.

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Depois da última página

Esta é a ordem. Começa no #1 se quiser um pouso suave. Pula pro #5 se quiser política e 800 páginas de slow-burn. Guarda o #8 pra noite em que estiver pronta pra sentir algo mais pesado que política de corte fae.

ACOTAR 6 sai pela Galera em 27 de outubro de 2026. Faltam meses. Entre lá e aqui, estes oito romances são o que temos: não como "também tem fada", mas como resposta ranqueada à abstinência de Maas. Escolha o que cabe no tamanho do seu buraco.

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Cadê a voz brasileira nesta lista?

Você reparou. Os oito acima são todos traduções de autoras estrangeiras. Não é mascaramento: é o estado do romantasy nacional em 2026. O Brasil tem cena gigante de dark romance contemporâneo (Wattpad → Faro → independentes, com Nana Simons, Zoe X e Gisa SR puxando a fila) e tradição forte de fantasia YA (Carolina Munhóz com O Inverno das Fadas pela Rocco). O que ainda está engatinhando aqui é romantasy adulta nacional, alta fantasia mais romance com estrutura de coquetel ACOTAR.

A primeira tentativa séria de autora brasileira entrar nessa porta é Babi A. Sette com Coração de Gelo e Rosas, cujo título já é homenagem assumida à Corte de Espinhos e Rosas. Vale acompanhar pra ver se vira ponto de partida pra uma cena nacional ou fica como evento isolado.

Sobre o dark romance brasileiro contemporâneo, já temos uma lista onde Nana Simons aparece como #2 ao lado de Huang, Carlton e Shen — voz nativa integrada ao cânone que o #BookTokBR está construindo.

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Onde encontrar

1. Quarta Asa — Rebecca Yarros 2. A Serpente e As Asas Feitas de Noite — Carissa Broadbent 3. Quicksilver — Callie Hart 4. Casa de Terra e Sangue — Sarah J. Maas 5. De Sangue e Cinzas — Jennifer L. Armentrout 6. Um Toque de Trevas — Scarlett St. Clair 7. O Príncipe Cruel — Holly Black 8. Uma Chama entre as Cinzas — Sabaa Tahir

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Escrito por
Beatriz Costa
escreve listas opinionadas sobre romance, tropos e o cânone que o BookTok não para de discutir.