O Grito do Azulejo Quebrado

O Grito do Azulejo Quebrado

By Beatriz Carvalho

thriller · 2026-04-23

Giovanna is awakened by the sound of breaking tile, a sign that her stalker is near. She lives in a run-down apartment building and has been experiencing increasingly disturbing incidents, like anonymous messages and photos. She arms herself with a knife, and hears a thud at the door, followed by her neighbor's voice.

Capítulo 1

O Grito do Azulejo Quebrado

O som de azulejo quebrando me acordou, um estilhaço agudo que perfurou o silêncio denso da madrugada. Meu coração saltou no peito, ecoando o pânico que se instalava a cada batida. Não era um som novo; era o prenúncio, a sinfonia dissonante que anunciava a chegada dele.

Levantei da cama, o lençol frio grudado na pele úmida de suor. A escuridão do quarto era quase palpável, um véu que me impedia de ver, mas não de sentir. O cheiro rançoso de cigarro velho pairava no ar, impregnado nas paredes amareladas do pequeno apartamento. Cada respiração era um esforço, um ato de resistência contra a onda crescente de terror.

Caminhei осторожно até a janela, espiando através das frestas da cortina empoeirada. A rua lá embaixo, normalmente um turbilhão de buzinas e vozes, jazia estranhamente silenciosa. Apenas a luz amarelada de um poste tremeluzia, dançando sobre o asfalto rachado. Nada se movia, mas a sensação de estar sendo observada era sufocante.

Moro no Edifício Aurora há quase cinco anos. Um prédio decadente no centro de São Paulo, lar de almas solitárias e histórias esquecidas. As paredes finas eram testemunhas silenciosas de discussões acaloradas, risos abafados e, ultimamente, do meu crescente desespero. Escolhi este lugar pela discrição, pela promessa de anonimato. Mas a discrição se transformou em isolamento, e o anonimato, em vulnerabilidade.

Ele começou há algumas semanas. Primeiro, pequenos incidentes: a porta do meu apartamento entreaberta, objetos mudados de lugar, sussurros indistintos no corredor. Eu ignorei, tentando racionalizar, atribuindo a paranoia ao estresse do trabalho. Sou designer gráfica freelancer, e a pressão para cumprir prazos tem sido implacável.

Depois, as coisas escalaram. Mensagens anônimas rabiscadas no espelho do banheiro, fotos minhas tiradas sem meu conhecimento, deixadas sob a porta. A polícia? Inútil. "Falta de provas", disseram. "Pode ser um admirador secreto". Um admirador secreto que me aterroriza.

O barulho de algo se arrastando no corredor me fez estremecer. Uma unha arranhando o chão? Um corpo sendo arrastado? A mente, antes um refúgio, agora era meu pior inimigo, alimentando cenários grotescos. Prendi a respiração, tentando acalmar o tremor incontrolável. Precisava pensar, precisava agir.

Fui até a cozinha, tateando no escuro até encontrar a faca de pão. A lâmina serrilhada parecia insignificante em minha mão, mas era tudo o que eu tinha. Voltei para a porta, colando o ouvido na madeira fria. O som de arrastar havia parado, substituído por um silêncio ainda mais perturbador.

De repente, um baque surdo contra a porta. Um grito abafado. Meu coração disparou. Hesitei por um momento, a faca tremendo em minha mão. Abro ou não abro? Se eu abrir, posso estar convidando o perigo para dentro. Se eu não abrir, o que ele fará?

Outro baque, mais forte desta vez. A madeira rangeu. Ele estava tentando arrombar a porta. A faca escorregou da minha mão, caindo no chão com um baque metálico. O medo me paralisou. Eu sabia, no fundo da minha alma, que ele estava vindo me buscar. E eu não tinha para onde fugir. Então, ouvi uma voz abafada do outro lado da porta. Uma voz que eu conhecia. A voz do meu vizinho, Sr. Silva: "Giovanna? Giovanna, você está bem? Tem alguém tentando entrar no seu apartamento!"

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