Casamento de Conveniência com o Castellani

Casamento de Conveniência com o Castellani

By Mariana Brito

romance · 2026-04-23

Renata, casada por conveniência com o bilionário Antônio Castellani, descobre que ele pretende usá-la como doadora de fígado para seu pai. Desesperada, ela se recusa e Antônio a ameaça, oferecendo um divórcio em troca de sua cooperação. Renata foge da mansão, decidida a lutar por sua liberdade.

Capítulo 1

O Cheiro de Orquídeas e Promessas Quebradas

O som do salto agulha ecoava no mármore frio, um prenúncio da tempestade que Renata sabia que estava prestes a enfrentar. A mansão, com seus lustres imponentes e obras de arte inestimáveis, parecia zombar dela, um monumento à riqueza que nunca seria sua de verdade.

Renata Moraes sempre soube que seu casamento com Antônio Castellani era um negócio, um pacto selado com promessas vazias e ambições familiares. Mas, ao encarar o escritório opulentamente decorado, a verdade a atingiu com a força de um soco: ela era apenas uma peça em um jogo cruel, um acessório descartável na vida do bilionário impiedoso.

Antônio, sentado atrás de sua mesa de mogno, não levantou os olhos quando ela entrou. A luz fraca delineava seu rosto anguloso, realçando a frieza em seus olhos azuis. Ele era a personificação do poder, um homem acostumado a ter tudo o que desejava, e Renata, infelizmente, estava incluída nessa lista.

"Você demorou", ele finalmente disse, a voz grave ecoando no silêncio da sala. "Eu esperava que estivesse pronta para cumprir sua parte do acordo."

Renata respirou fundo, tentando controlar a tremedeira em suas mãos. Ela vestia um vestido de seda cor de vinho, escolhido a dedo por ele, uma armadura frágil em meio àquele campo de batalha. "Eu cumpri todas as suas ordens, Antônio. Fui a esposa perfeita, a anfitriã impecável. O que mais você quer de mim?"

Um sorriso frio curvou os lábios de Antônio. "Perfeição é uma ilusão, Renata. E você, minha querida, está longe de ser perfeita. Mas você é útil. Pelo menos, até agora."

Ele se levantou, caminhando lentamente em direção a ela, como um predador se aproximando de sua presa. Renata recuou instintivamente, sentindo o pânico a invadir. Aquele homem a assustava, não apenas por sua riqueza e poder, mas pela escuridão que emanava dele.

"Meu pai precisa de um transplante de fígado", Antônio disse, parando a poucos centímetros dela. "E você, minha querida esposa, é a doadora perfeita."

As palavras o atingiram como uma facada. Ela sabia que o casamento era uma farsa, mas nunca imaginou que Antônio seria capaz de tamanha crueldade. Seu corpo tremia, a respiração presa na garganta.

"Você não pode estar falando sério", ela sussurrou, a voz embargada. "Você não faria isso comigo."

Antônio pegou o rosto dela entre as mãos, apertando-o com força. Seus olhos azuis eram gelo puro. "Não me subestime, Renata. Eu sou capaz de qualquer coisa para proteger minha família. E você, infelizmente, é apenas um sacrifício necessário."

Ele soltou o rosto dela bruscamente, voltando para trás da mesa. "Prepare-se. A cirurgia está marcada para amanhã."

Renata sentiu as pernas fraquejarem. Ela se apoiou na mesa, tentando manter a compostura. Como ela havia se deixado chegar a esse ponto? Como havia se tornado tão ingênua a ponto de acreditar nas promessas de Antônio?

"Eu não vou fazer isso", ela disse, a voz firme, apesar do medo que a consumia. "Eu não vou doar meu fígado para o seu pai."

Antônio sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Você não tem escolha, Renata. Ou você colabora, ou eu torno sua vida um inferno ainda pior do que já é. E acredite, eu sou muito bom em fazer as pessoas sofrerem."

Ele pegou um envelope lacrado e o jogou sobre a mesa. "Aqui está o divórcio. Assine e coopere, e eu garantirei que você saia dessa com a sua vida... e alguma compensação financeira. Recuse-se, e você descobrirá o quão longe eu estou disposto a ir."

Renata pegou o envelope, as mãos tremendo incontrolavelmente. Seus olhos percorreram o documento, as palavras dançando diante de seus olhos. Ela estava presa, sem saída. Antônio tinha todos os trunfos, e ela era apenas uma peça descartável em seu jogo cruel.

Enquanto observava Antônio, um pensamento ousado surgiu em sua mente. E se ela não precisasse jogar pelas regras dele? E se ela pudesse encontrar uma maneira de virar o jogo contra ele?

Ela olhou para o documento de divórcio. "Eu vou precisar de um advogado."

Antônio riu. "Você acha que um advogado pode me impedir? Tente, Renata. Mas lembre-se, cada segundo que você perde tentando lutar é um segundo a menos que você tem para viver."

Renata apertou o envelope com força, os olhos fixos em Antônio. Ela não sabia como, mas ela encontraria uma maneira de escapar daquele inferno. Ela não seria apenas mais uma vítima em seu jogo cruel. Ela lutaria pela sua vida, pela sua liberdade, e pela sua dignidade.

Naquela noite, Renata fugiu da mansão dos Castellani, levando consigo apenas uma pequena mala e a determinação de sobreviver. Ela sabia que Antônio não desistiria facilmente, mas ela estava disposta a arriscar tudo para escapar de suas garras. O que ela não sabia era que, ao fugir, ela estava prestes a descobrir segredos obscuros sobre o passado de Antônio, segredos que poderiam mudar tudo... ou destruí-la completamente.

Continuar para o Capítulo 2