O Preço do Silêncio

O Preço do Silêncio

By NTeixeira

romance · 2026-04-23

Ulisses é confrontado por Don Rossi, que exige saber onde está Sofia. Ulisses se recusa a traí-la, sabendo que ela é filha de um Don rival e deveria casar com o filho de Rossi. Rossi recebe uma ligação e descobre que Sofia foi encontrada — e que ela não estava sozinha.

Capítulo 1

O Preço do Silêncio

O gelo da pistola colidiu com a têmpora de Ulisses como uma promessa fria e inevitável. Seus olhos, tempestades de um azul que outrora fora calmo, agora refletiam o brilho predatório do homem à sua frente: Don Alessandro Rossi, o capo implacável da Famiglia Rossi. A pergunta pairava no ar denso do escritório, carregada de consequências que poderiam despedaçar o mundo meticulosamente construído de Ulisses. "Onde está ela?"

Ulisses engoliu em seco, a saliva raspando em sua garganta seca. Cada músculo do seu corpo gritava para confessar, para aliviar a pressão excruciante, mas uma imagem — o sorriso radiante de Sofia, a suavidade da sua pele sob seus dedos — ancorava sua língua. Sofia. A razão pela qual ele havia se arriscado a trair a única família que jamais conhecera.

Alessandro apertou o gatilho da pistola, o clique seco reverberando no silêncio. "Você sabe, Ulisses, eu sempre o considerei como um filho. Um filho brilhante, leal… até agora." A decepção na voz de Alessandro era mais cortante do que qualquer ameaça.

"Eu juro, Don Rossi, eu não sei do que você está falando," Ulisses conseguiu articular, a voz tremendo ligeiramente. A mentira era óbvia, palpável, mas ele precisava ganhar tempo. Tempo para Sofia escapar, para desaparecer nas sombras onde Alessandro não a encontraria.

O escritório de Alessandro era um santuário de poder e opulência. Painéis de madeira escura revestiam as paredes, adornadas com retratos sombrios de antepassados da Famiglia. Uma mesa maciça de mogno dominava o centro da sala, sobrecarregada com papéis, telefones e um cinzeiro de cristal transbordando de pontas de cigarro apagadas. O cheiro de charuto cubano e medo pairava no ar, uma fragrância nauseante que Ulisses conhecia bem demais.

Ulisses havia sido criado na Famiglia Rossi desde que era um menino órfão, acolhido e treinado nas artes da extorsão, intimidação e, quando necessário, violência. Ele ascendeu rapidamente nas fileiras, sua inteligência e frieza lhe renderam a confiança de Alessandro e um lugar próximo ao seu coração. Mas então, Sofia entrou em sua vida, uma flor delicada florescendo em um jardim de espinhos. Ela trabalhava na floricultura perto do QG da Famiglia, seus olhos cor de mel e sorriso gentil contrastando fortemente com a brutalidade do mundo de Ulisses. Ele se apaixonou perdidamente, e com essa paixão veio o desejo irresistível de protegê-la, de arrancá-la das garras da Famiglia.

O problema era que Sofia, sem que Ulisses soubesse inicialmente, era filha de Marco Bellini, o chefe da Famiglia rival. Um casamento arranjado entre Sofia e o filho de Alessandro era a forma de selar a paz entre as duas famílias. Sofia se recusou, e Ulisses viu a chance de salvá-la. Ele a ajudou a fugir, sabendo que, ao fazer isso, assinava sua própria sentença de morte.

"Não me faça repetir a pergunta, Ulisses," Alessandro rosnou, pressionando a pistola ainda mais contra a têmpora de Ulisses. "Onde está Sofia Bellini?" O nome de Sofia soou como uma blasfêmia na boca de Alessandro.

Ulisses fechou os olhos, uma única lágrima escorrendo pelo seu rosto. Ele pensou em Sofia, em sua liberdade, na esperança de uma nova vida longe da violência e da traição. Ele não podia entregá-la. Não importava o custo.

"Eu não vou te dizer," Ulisses sussurrou, sua voz embargada pela emoção.

Um sorriso frio se espalhou pelos lábios de Alessandro. "Nesse caso…", ele começou, mas foi interrompido pelo toque agudo do telefone em sua mesa. Alessandro franziu a testa, hesitando por um momento antes de atender.

"Rossi," ele disse secamente. Uma pausa. O rosto de Alessandro se contorceu em uma fúria indescritível. Ele desligou o telefone com um estrondo, seus olhos flamejando de raiva.

"Eles a encontraram," ele sibilou, a voz carregada de veneno. "Eles encontraram Sofia. E parece que… ela não estava sozinha."

Alessandro olhou para Ulisses, um sorriso cruel dançando em seus lábios. "Parabéns, Ulisses. Você não apenas traiu sua família, mas também a condenou. Traga-a para mim… e talvez… apenas talvez… eu considere poupar sua vida."

Continuar para o Capítulo 2