O Primeiro Gole de Veneno

Chapter 3 — A Câmera Escondida do Destino

O brilho das lustres do Copacabana Palace parecia zombar de Viviane enquanto ela se afastava de Júlio, o eco de sua promessa sussurrada pairando no ar como uma nuvem tóxica. "Meu jogo, Viviane. Nós vamos jogar o nosso próprio jogo." Cada palavra dele era uma ameaça velada, um convite perigoso para a batalha que ela mesma havia iniciado. Seus saltos tamborilavam no mármore polido, cada passo um ato de desafio. Ela não cederia. Não agora, não para ele.

Enquanto se dirigia ao terraço, buscando um refúgio do burburinho sufocante da festa, a imagem capturada pela lente indiscreta do fotógrafo a assombrava. Aquele instante de conexão forçada, a troca de olhares carregada de uma tensão que ia além da simples animosidade, era agora um registro público de sua intimidade relutante. O que fariam com aquela foto? Como a usariam para pressioná-la ainda mais?

A brisa do mar beijou seu rosto, um alívio bem-vindo. Ela se encostou no parapeito, observando as luzes da cidade cintilarem como diamantes espalhados sobre veludo escuro. A vastidão do oceano, no entanto, não trazia a paz que ela buscava. Em vez disso, amplificava a sensação de estar encurralada. O acordo, o casamento, Júlio... tudo parecia uma teia intrincada se fechando ao seu redor.

De repente, uma voz rouca quebrou o silêncio: "Impressionante vista, não é?" Era Leonardo, um velho amigo de seu pai e um dos arquitetos do acordo. Ele se aproximou, um sorriso calculista nos lábios. "Seu pai está muito satisfeito, Viviane. E eu também. Este casamento vai solidificar muitas coisas."

Viviane virou-se, forçando um sorriso que não alcançou seus olhos. "Fico feliz em ouvir isso, Sr. Almeida." Ela tentou manter a voz firme, mas um arrepio percorreu sua espinha. A presença dele, tão ligada aos acordes de negócios que a aprisionavam, era um lembrete constante de sua impotência.

Leonardo inclinou a cabeça, seus olhos perscrutando os dela com uma intensidade desconcertante. "Você parece preocupada, minha querida. Júlio não está à altura das suas expectativas?" A provocação era clara, um eco das velhas disputas que ele testemunhara entre ela e Júlio.

Antes que Viviane pudesse formular uma resposta evasiva, um flash ofuscante irrompeu da escuridão próxima. O fotógrafo novamente. Mas desta vez, ele não estava mirando neles. Sua câmera estava focada em uma figura que acabara de emergir das sombras, um homem com o rosto parcialmente obscurecido e um sorriso que parecia tão perigoso quanto o de Júlio. Ele ergueu um pequeno dispositivo, e um som agudo e penetrante ecoou pelo terraço, silenciando a música e as conversas lá embaixo. O dispositivo caiu das mãos do homem, e ele desapareceu tão rápido quanto apareceu, deixando para trás apenas o silêncio atordoado e um rastro de pânico.

Viviane olhou para o dispositivo no chão, algo metálico e frio, e então para Leonardo, cujo rosto havia perdido toda a cor. "O que foi isso?" ela perguntou, a voz um sussurro trêmulo. Leonardo a agarrou pelo braço, seus dedos apertando com força incomum. "Nós precisamos sair daqui. Agora!"