Brilho Escondido Sob a Pele

Chapter 2 — O Perfume Delicado do Chá de Jasmim

O frio na barriga de Patrícia não vinha apenas da gravidez iminente; era o pânico gelado que a inundava após o telefonema. Quem poderia ser? Quem sabia do seu segredo mais precioso, o pequeno milagre que crescia dentro dela?

"Olá?" Sua voz saiu trêmula, um fio de som lutando contra o nó em sua garganta. A voz do outro lado era fria, profissional, desprovida de qualquer emoção. "Senhorita Sampaio? Tenho uma mensagem do Senhor Carvalho. Ele deseja vê-la imediatamente. É sobre um assunto de extrema urgência."

A urgência. A palavra ecoou na mente de Patrícia. Hugo. Ele sabia. Como? A linha telefônica parecia um abismo, o silêncio da outra ponta antes da resposta, um tormento. "Onde? Quando?" ela conseguiu perguntar, o coração martelando contra as costelas.

"No Café Lumière, em São Paulo. Em uma hora. Ele insiste que sua presença é indispensável. Por favor, não se atrase."

O Café Lumière. Um lugar que costumava ser o palco de encontros casuais, agora se transformava em um tribunal. Patrícia olhou para o pequeno teste de gravidez sobre a mesa de centro, o rosa pálido uma promessa e uma sentença. Fugir não seria tão simples quanto pensava. Ela precisava encarar Hugo.

Uma hora. Tempo suficiente para se arrumar, para tentar disfarçar o medo que a consumia, para colocar uma armadura. Ela escolheu um vestido solto, de cor neutra, que não revelasse seu segredo, mas que a fizesse sentir forte. Seus sapatos de salto baixo, um aceno para o conforto que agora era prioridade.

Enquanto se maquiava no espelho, a imagem de Hugo surgiu em sua mente. O sorriso torto, os olhos penetrantes que pareciam vê-la por dentro. Será que ele a reconheceria? Será que ele se importaria? Ou seria apenas mais um assunto a ser resolvido, uma pedra em seu caminho para o altar com outra mulher?

A viagem de carro para São Paulo foi um borrão de ansiedade. Cada semáforo vermelho, cada trecho de trânsito lento, parecia um insulto à sua urgência. Ao chegar ao Café Lumière, sentiu o olhar de todos sobre si, como se seu segredo já estivesse estampado em sua testa.

Ele estava lá, em uma mesa no canto mais reservado, como sempre. Vestido impecavelmente, a mesma aura de poder e riqueza que a atraíra e a repelira. Ao vê-la, um leve aceno de cabeça, um convite silencioso para se sentar. Patrícia respirou fundo e caminhou até ele, cada passo uma batalha contra o instinto de correr.

"Patrícia," ele disse, sua voz um barítono rouco que ainda causava arrepios. Não havia raiva, nem surpresa. Apenas uma calma perturbadora. "Sente-se. Precisamos conversar."

Ela se sentou, as mãos entrelaçadas no colo, tentando controlar a trepidação. O cheiro de café e jasmim pairava no ar, uma fragrância enganosamente pacífica. "Hugo," ela começou, a voz mais firme do que esperava. "Eu sei por que me chamou aqui."

Os olhos dele estreitaram-se levemente. "Ah, é? E o que você acha que é?"

Patrícia hesitou por um instante, o peso da mentira que estava prestes a contar era quase insuportável. Ela precisava de tempo. Precisava de um plano. "É sobre o projeto em Florianópolis. Aquela proposta que enviei."

Hugo deu um sorriso lento, um sorriso que não alcançou seus olhos. Ele pegou a xícara de café, o vapor dançando em torno de seu rosto. "Florianópolis, é? Interessante."

Ele levou a xícara aos lábios, e por um momento, Patrícia pensou ter visto um brilho diferente em seus olhos. Uma sombra que ela não conseguia decifrar. Então, ele baixou a xícara e a encarou diretamente. "Vamos ser honestos, Patrícia. Eu não a chamei aqui para falar sobre projetos de design de interiores. Chamei você aqui porque sei que está grávida. E eu sei que o filho é meu."