Diamantes no Leilão

Chapter 3 — O Perfume Delicado da Traição

O pânico se instalou como uma névoa fria sobre o salão dourado do Copacabana Palace. O corpo de Rafael, antes vibrante e cheio de promessas quebradas, agora jazia inerte nos braços de Lara, o tecido caro de sua camisa manchado de um carmesim escuro e horripilante. O sangue dele, que ela sentia pulsar em suas próprias veias como um eco da vida que se esvaía, deixava um rastro pegajoso em sua pele. Sirenes começaram a uivar ao longe, rasgando a fina camada de requinte que o hotel tentava manter.

Lara soltou um grito rouco, um som primal que parecia vir do fundo de sua alma torturada. O rosto de Rafael, antes cheio de uma angústia familiar, agora estava pálido, os olhos vidrados fixos em um ponto além dela, como se vissem algo que ela não podia. As últimas palavras dele, fragmentadas e sussurradas contra seus lábios gelados, ecoavam em sua mente: "Seu pai... ele não te protege... ele te usa..." O que isso significava? Como seu pai, o homem que sempre a envolveu em uma bolha de segurança – ou talvez de controle – poderia ser a fonte de seu perigo?

Seguranças do hotel, com rostos impassíveis e portando o peso da discrição forçada, começaram a isolar a área. Um deles, um homem corpulento com um terno impecável, aproximou-se com cautela. "Senhora, a polícia está a caminho. Por favor, solte o corpo. Precisamos que a senhora se afaste."

Lara não conseguia. Seus dedos se apertaram em torno do tecido da camisa dele, como se pudesse segurar a vida que escapava. Cada fibra de seu ser gritava em protesto contra a brutalidade do momento. Aquele reencontro, tão repleto de esperança e dor, havia se transformado em um pesadelo. Rafael voltara após cinco anos, jurando protegê-la, apenas para ser arrancado dela antes mesmo que pudessem começar a desatar os nós de seu passado.

Enquanto os paramédicos chegavam, apressados e eficientes, afastando-a com uma gentileza que parecia intrusiva, Lara sentiu um olhar sobre si. Não era a curiosidade mórbida dos outros hóspedes, mas algo mais penetrante, frio. Em meio ao caos controlado, ela vislumbrou, por uma fração de segundo, uma figura esguia e sombria se misturando à multidão que se formava do lado de fora, perto da entrada. A silhueta se desvaneceu tão rapidamente quanto apareceu, mas a impressão de ter sido observada, estudada, permaneceu gravada em sua memória.

Horas depois, de volta à solidão opressora de seu apartamento, a Sra. Almeida tentava trazer algum conforto. "Lara, querida, você precisa se recompor. Rafael não gostaria de vê-la assim. E sobre seu pai... talvez haja uma explicação."

"Uma explicação?" Lara riu, um som seco e sem alegria. "Ele sempre esteve envolvido em coisas que eu não entendia, Sra. Almeida. Contratos, negócios obscuros... Mas nunca pensei que pudesse ser... isso. Rafael disse que meu pai me usa. O que ele quis dizer? Que tipo de uso?"

A Sra. Almeida hesitou, um brilho de preocupação atravessando seus olhos. Ela acariciou a mão de Lara. "Seu pai te ama, Lara. Ele só quer o seu bem."

Naquela noite, Lara não conseguiu dormir. A imagem do rosto pálido de Rafael, suas últimas palavras e a figura sombria do lado de fora se misturavam em seus pensamentos. Ela pegou o celular, discou o número de seu pai. A voz dele soou calma, quase distante. "Lara? Algum problema?"

Respirando fundo, ela decidiu confrontá-lo. "Pai, Rafael foi morto hoje. No Copacabana. Ele disse coisas sobre o senhor... sobre me usar."

Um silêncio prolongado se estendeu do outro lado da linha, tão denso que Lara quase podia senti-lo. Finalmente, seu pai falou, a voz agora carregada de um tom que ela nunca ouvira antes – uma mistura fria de ameaça e resignação. "Lara, você não faz ideia do perigo em que se meteu ao falar com Rafael. O melhor que você pode fazer agora é esquecer tudo. Esquecer ele. E, mais importante, esquecer que esta conversa aconteceu. Ou você acabará como ele."

O telefone caiu da mão de Lara, o som do plástico batendo no chão ecoando no silêncio mortal do apartamento. Seu pai... não apenas sabia, mas ameaçava. E o que significava o perfume sutil e caro que, de repente, ela notou impregnado em seu próprio vestido, um aroma que parecia estranhamente familiar, como se tivesse sido deixado ali de propósito?