O Segredo Bordado em Seda

Chapter 3 — O Sussurro das Pétalas de Orquídea

A porta do escritório de Davi bateu com um estrondo ensurdecedor, o som ecoando pelos corredores silenciosos da Mansão Oliveira como um trovão em céu claro. Joana ofegou, o coração disparado contra as costelas. A força com que a madeira maciça se fechou prenunciava um confinamento que ela não desejava, mas que, de alguma forma, parecia inevitável. Os olhos de Davi, antes frios e distantes, agora ardiam com uma intensidade que a desarmava. Ele não se afastou, mantendo a distância mínima entre eles, o ar carregado de uma eletricidade palpável.

"Você não entende, Joana," a voz dele era um rosnado baixo, quase inaudível. "Este acordo é tudo. Tudo o que eu construí. E você... você está colocando tudo a perder com essa sua curiosidade tola." Ele gesticulou de forma brusca na direção da mesa, onde o bilhete anônimo que ela havia encontrado repousava, um pedaço de papel comum que se tornara o epicentro de seus medos.

Joana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A raiva substituiu o medo. "Tola? Acha que sou tola? Recebo bilhetes ameaçadores, você age como um vulcão prestes a explodir, e a culpa é minha por querer saber o que está acontecendo? Quem te ligou, Davi? Quem está ameaçando o nosso 'acordo'?"

Davi fechou os olhos por um instante, uma expressão de exaustão cruzando seu rosto. Quando os abriu novamente, a intensidade havia retornado, mais forte. "Não é da sua conta. Sua única preocupação deve ser manter as aparências. Ser a esposa perfeita, a fachada que eu preciso."

"A fachada?" Joana riu, um som amargo e sem alegria. "Você me comprou, Davi. Me usou para seus propósitos. Mas eu não sou um objeto para ser exibido. Sou uma pessoa. E essa pessoa tem o direito de saber o perigo que corre, o perigo que todos nós corremos."

Ela deu um passo à frente, desafiadora. O broche de orquídea em seu vestido parecia pesar, um lembrete constante de sua situação. "Sua avó está doente, Joana. Sua família, à beira da ruína. Você fez um sacrifício. Eu não vou permitir que esse sacrifício seja em vão por causa de algum jogo sujo que você está envolvido." A menção de Dona Celeste e da situação de sua família fez Davi vacilar por um momento, a armadura de frieza que ele vestia rachando levemente. Mas apenas por um instante.

"Você fala de sacrifícios?" Davi deu um passo para trás, o peso de algo não dito parecendo esmagá-lo. "Você não faz ideia do que está em jogo. O que eu tive que fazer para chegar até aqui. O que eu tive que sacrificar." Ele olhou para ela, seus olhos escuros buscando os dela com uma profundidade perturbadora. "E o que eu posso perder agora." A voz dele era quase um sussurro, carregada de uma vulnerabilidade que Joana nunca imaginou que ele possuísse.

Um silêncio tenso se instalou entre eles, quebrado apenas pelo tic-tac de um relógio antigo na parede. Joana percebeu que, sob a fachada de homem implacável, Davi escondia uma carga imensa. Mas que carga era essa? E como ela se conectava à ameaça que pairava sobre o casamento deles?

"A senhora. Celeste disse que eu deveria ter cuidado com as orquídeas," Joana murmurou, mais para si mesma do que para Davi. "Ela disse que elas florescem em solo fértil, mas que suas raízes podem ser venenosas."

O rosto de Davi endureceu novamente. "Sua avó é uma mulher sábia. Talvez sábia demais para o seu próprio bem." Ele se virou abruptamente, caminhando até a janela que dava para o jardim exuberante da mansão. As orquídeas, exóticas e belas, pareciam observá-los com suas pétalas sedutoras.

De repente, um som fraco, mas distinto, chamou a atenção de Joana. Vinha de baixo da porta. Ela se abaixou, curiosa, e viu um pedaço fino de papel sendo cuidadosamente deslizado para dentro do cômodo. Era o mesmo tipo de papel do bilhete ameaçador. Com as mãos trêmulas, ela o pegou. Era um pequeno recorte de jornal, e a manchete, em letras garrafais, gritava: "Magnata das Finanças Desaparece Sem Deixar Rastros". Abaixo, uma foto antiga de um homem de negócios sorridente, um homem que Joana vagamente reconheceu das manchetes de economia – um antigo rival de Davi, que havia sumido do cenário público anos atrás.

Davi, ainda de costas, não notou nada. Joana olhou do recorte para ele, uma nova e terrível suspeita começando a se formar em sua mente. O casamento por contrato, a ligação misteriosa, as palavras de sua avó... tudo parecia convergir para um único ponto sombrio. Ela não era apenas a esposa de fachada de Davi Oliveira. Ela estava presa em um jogo muito mais perigoso do que jamais imaginara, e o homem ao seu lado era, talvez, a maior ameaça de todas.

"Davi..." ela sussurrou, mas o som se perdeu quando ele se virou, seus olhos fixos em algo atrás dela, algo que a fez gelar até os ossos. A expressão em seu rosto não era de raiva ou frustração, mas de puro, absoluto terror. Algo ou alguém havia entrado na sala sem que eles percebessem.