Restauradora de Segredos
Chapter 3 — O Perfume de Lírios e a Promessa Escarlate
O apartamento de Viviane, antes um refúgio de tranquilidade, agora ressoava com a tensão palpável do acordo selado. O broche, seguro em uma pequena caixa de veludo sobre sua cômoda, era um lembrete constante do preço que ela pagara. Não era apenas o objeto em si, mas o mês que se estendia à sua frente, um futuro incerto em poder de Rafael Cunha. O celular vibrou novamente, tirando-a de seus devaneios. Era ele. Apenas um toque curto, mas o suficiente para gelar seu sangue.
"Onde você está?" A voz de Rafael, calma, porém com uma firmeza que não admitia questionamentos, soou pelo aparelho. Era a voz de quem estava acostumado a ter o mundo aos seus pés.
Viviane engoliu em seco, tentando disfarçar o tremor em sua voz. "Em casa, Sr. Cunha. Precisando de algo?"
Uma risada baixa e rouca atravessou a linha. "Algo? Viviane, você me pertence por trinta dias. Obviamente, preciso de você. Estarei aí em uma hora. Prepare-se. Quero que use aquele vestido que te vi usar no leilão. O azul-marinho."
O azul-marinho? Aquele vestido que ela usara na noite em que sua vida virara de cabeça para baixo. Aquele vestido que, de alguma forma, Rafael notara. Um arrepio percorreu sua espinha. Ele não estava apenas comprando seu tempo, estava comprando sua atenção, sua imagem. Era uma possessividade assustadora.
"Mas... para onde vamos?", ela conseguiu perguntar, a voz quase um sussurro.
"Um jantar. Algo discreto. Quero que conheça alguém. Alguém que precisa entender a sua nova... disponibilidade."
O coração de Viviane disparou. Conhecer alguém? Que alguém? A mente dela voou para os cenários mais sombrios. Seria uma exibição? Uma forma de humilhá-la? Ela não podia permitir. Respirou fundo, lembrando-se de seu objetivo final: recuperar não apenas o broche, mas a dignidade de sua família. Esse mês seria uma prova de fogo, mas ela não se quebraria.
"Entendido, Sr. Cunha. Estarei pronta."
Desligou o telefone e correu para o guarda-roupa, as mãos tremendo enquanto procurava o vestido azul-marinho. O tecido frio deslizou sobre sua pele enquanto ela o vestia, sentindo-se como uma atriz em um palco prestes a começar uma peça com um roteiro desconhecido e perigoso. Ao se olhar no espelho, viu não apenas a restauradora de arte, mas uma mulher forçada a um jogo de aparências, com um futuro incerto pintado em tons de escarlate e safira.